A colheita da segunda safra de milho no centro-sul do Brasil avançou para 85% da área cultivada até a última quinta-feira (13), segundo o levantamento semanal divulgado pela consultoria AgRural nesta segunda-feira (17). O percentual representa um salto de seis pontos em relação aos 79% registrados na semana anterior, mas ainda mostra um atraso considerável frente aos 94% colhidos no mesmo período de 2025. A AgRural atribui o descompasso principalmente às condições climáticas irregulares enfrentadas ao longo da safra, que atrasaram a maturação dos grãos em diversas regiões produtoras e forçaram os produtores a um cronograma mais apertado nesta reta final.

O panorama por estado segue desigual. Em Mato Grosso, maior produtor do país na segunda safra, os trabalhos estão praticamente concluídos, com as colheitadeiras concentradas apenas nas áreas remanescentes do sul do estado. Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás registraram “bom avanço” na semana, segundo a nota da consultoria. Já o Paraná voltou a ser o ponto de atenção: o excesso de umidade seguiu dificultando a entrada de máquinas nas lavouras, um problema que já vinha prejudicando o estado nas semanas anteriores e que deve se refletir tanto no ritmo da colheita quanto na qualidade final dos grãos colhidos sob chuva.
O momento também marca a virada de safra no Rio Grande do Sul, onde teve início o plantio do milho verão 2026/27, com 0,3% da área estimada semeada até a última quinta-feira — ritmo mais lento que o 1,6% observado um ano antes, também por conta de chuvas que atrasam a entrada de tratores no campo. Enquanto o centro-sul finaliza a segunda safra, o Sul do país já inaugura o novo ciclo, evidenciando a sobreposição de calendários que caracteriza a produção nacional de milho, cultivado em praticamente todos os meses do ano em alguma região do Brasil.
No campo das estimativas, a AgRural revisou para cima sua projeção de produção da segunda safra no centro-sul, que passou de 99,1 milhões para 101,3 milhões de toneladas, alta puxada especialmente pelas boas produtividades de Mato Grosso e Goiás, que compensaram perdas pontuais causadas pela estiagem em outras regiões ao longo do ciclo. Somando os volumes da primeira, segunda e terceira safras, a consultoria projeta uma produção total de milho no Brasil de 142,8 milhões de toneladas em 2025/26 — um patamar recorde e bem superior às 113,2 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, 2024/25.
O volume extra de milho chega em um momento estratégico para o mercado interno, já que a demanda pelo grão vem crescendo de forma consistente por conta da expansão da produção de etanol de milho no país, ao mesmo tempo em que as exportações brasileiras enfrentam concorrência mais acirrada de outros grandes produtores globais. Uma safra maior tende a pressionar os preços internos para baixo e a dar mais competitividade aos embarques brasileiros nos próximos meses, embora o ritmo mais lento da colheita em relação a 2025 e os riscos climáticos que ainda pairam sobre o Paraná sejam fatores que o mercado deve continuar monitorando de perto até o encerramento definitivo dos trabalhos no centro-sul.