Pirataria nos rios da Amazônia: a união que faz da segurança da navegação uma causa de todos 

Na sede da Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (SOPH), em Porto Velho, forças de segurança dos estados e da União, autoridade portuária, armadores e representantes da sociedade civil reuniram-se para tratar de um problema que ameaça cargas, tripulações e o próprio futuro do transporte aquaviário na Amazônia: a pirataria nos rios. Do encontro saiu um entendimento que vale como ponto de partida — a navegação só será verdadeiramente segura quando for protegida por todos, em conjunto. 

O encontro, realizado nesta terça-feira na sede da SOPH, em Porto Velho, foi presidido por seu presidente, o Dr. Fernando Parente. Participou o presidente da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega), Raimundo Holanda, ao lado de representantes das Polícias Militar, Civil e Federal atuantes em Rondônia. Por videoconferência, somaram-se ao debate representantes da Polícia Militar do Estado do Amazonas. Participaram, ainda, diversos representantes dos armadores da região e da sociedade civil — um quadro que, por si só, já traduzia o espírito da reunião: o de que a segurança das águas não é tarefa de um único órgão, mas de uma rede. 

A pirataria fluvial deixou de ser episódio isolado para se tornar uma ameaça recorrente ao transporte aquaviário na Amazônia. Quadrilhas armadas abordam embarcações em pontos remotos dos rios, rendem tripulações e levam combustíveis e outras cargas, deixando atrás de si perdas financeiras expressivas. O setor de transporte é, naturalmente, o mais atingido — são as empresas de navegação, suas embarcações e, sobretudo, seus tripulantes que estão na linha de frente desses ataques. Mas o que mais preocupa a Fenavega não é o prejuízo material, e sim o perigo a que ficam expostas as tripulações — homens e mulheres que vivem do rio e que, a cada viagem, enfrentam o risco de uma abordagem violenta. A esse risco humano soma-se o de um acidente grave: boa parte das cargas é de produtos inflamáveis, e um único disparo próximo a um tanque basta para colocar vidas e o meio ambiente em perigo. 

Combater esse tipo de crime impõe desafios próprios da região. Os rios amazônicos são extensos e cheios de braços, afluentes e igarapés, muitas vezes sem sinal de comunicação e distantes de qualquer apoio imediato. Nenhuma força, isoladamente, alcança esse território. É justamente por isso que a integração — entre as polícias dos estados, as forças federais, a Marinha do Brasil, as autoridades portuárias e o próprio setor da navegação — deixou de ser uma alternativa para se tornar uma necessidade. 

A reunião caminhou nessa direção. Mais do que relatar ocorrências, os presentes se dispuseram a construir uma articulação permanente, capaz de aproximar quem está no dia a dia dos rios de quem responde pela segurança pública. A presença, lado a lado, de forças de Rondônia e do Amazonas, da autoridade portuária, dos armadores e da sociedade civil mostrou que o enfrentamento da pirataria avança quando cada um assume a sua parte — e que a soma desses esforços é sempre maior do que qualquer iniciativa isolada. 

Nesse esforço, é justo reconhecer quem tem feito a sua parte. As Polícias Militar, Civil e Federal, em Rondônia e no Amazonas, vêm enfrentando a pirataria em condições adversas, levando a presença do Estado a trechos de difícil acesso e arriscando-se para proteger quem vive e trabalha nos rios — um comprometimento que merece o reconhecimento e o apoio de todo o setor. Merece igual destaque a atuação do presidente da SOPH, o Dr. Fernando Parente, que tem reunido em torno da mesma mesa os diferentes entes envolvidos na questão. Ao aproximar forças de segurança, autoridade portuária, armadores e sociedade civil, sua iniciativa transforma a vontade de cooperar em ação concreta e dá ao debate a continuidade de que ele precisava. 

Para a Fenavega, segurança e desenvolvimento são indissociáveis. Não há investimento na navegação, tampouco soberania efetiva na Amazônia, sem que tripulações, cargas e embarcações possam navegar em paz. A federação reafirmou seu papel de articuladora: o de propor caminhos, aproximar atores e contribuir para que as decisões sobre os rios sejam tomadas com quem conhece os rios. A parceria com a Marinha do Brasil e com as forças de segurança é, nesse sentido, um dos pilares de qualquer solução duradoura. 

Foi esse o sentido maior do encontro de Porto Velho. A sociedade civil se fez presente porque entendeu que a segurança dos rios diz respeito a todos — às comunidades ribeirinhas, às cidades abastecidas pelas hidrovias, ao trabalhador que conduz a embarcação e ao país que depende desse modal para se desenvolver. É dessa consciência — a de que proteger a navegação é uma responsabilidade compartilhada — que nasce a união capaz de devolver tranquilidade às águas da Amazônia. 

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