Construído em Itajaí (SC) com financiamento do BNDES, o Starnav Elektra abre a renovação da frota de apoio offshore da Petrobras e deve reduzir em cerca de 18% as emissões em relação à frota atual

A Petrobras batizou na quinta-feira (17), no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, o Starnav Elektra, primeira embarcação entregue pelo Programa Mar Aberto, iniciativa criada para renovar e ampliar a frota de apoio às operações da companhia. O navio foi construído pelo Estaleiro Detroit, em Itajaí (SC), recebeu investimento de cerca de R$ 450 milhões e agora segue para atuar junto às plataformas das bacias petrolíferas brasileiras. A madrinha da cerimônia foi a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo a Starnav, empresa que vai operar a embarcação, a entrega ocorreu cerca de dois anos antes do prazo previsto em contrato.
O que mais chamou atenção, porém, foi quem estava no comando. O Elektra fez a viagem inaugural entre Itajaí e o Rio de Janeiro com uma tripulação formada exclusivamente por mulheres: são 16 profissionais, lideradas pela comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon. Todos os postos a bordo, do terceiro oficial ao comando, foram ocupados por mulheres, entre elas a imediata Lorrayne Vaz Coelho, segunda na hierarquia do navio. A travessia é tratada como um marco para a Marinha Mercante brasileira, já que a presença feminina nas atividades embarcadas ainda é bem menor do que em outras áreas da cadeia de petróleo e gás.

O navio também se destaca pela tecnologia. O Elektra é um PSV (Platform Supply Vessel), tipo de embarcação que leva das bases em terra até as plataformas em alto-mar cargas como água, óleo diesel, cimento, produtos químicos, equipamentos, tubulações e alimentos. Ele conta com propulsão híbrida diesel-elétrica associada a um banco de baterias, monitoramento do consumo por telemetria e novas tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação, que diminuem o atrito do casco com a água. Segundo as empresas, o conjunto permite reduzir em cerca de 18% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com a frota atual, e a embarcação está preparada para operar no futuro com combustíveis mais limpos, como o HVO, conhecido como diesel verde.
O Elektra é o primeiro de dez novos navios de apoio offshore que serão incorporados à frota da Starnav para atender à Petrobras, todos com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os projetos envolvem tipos e contratos diferentes, voltados a atividades distintas de apoio às operações da estatal. Criada em 2007 pelo Grupo Detroit, a Starnav opera 18 embarcações de apoio offshore no país, 13 delas financiadas anteriormente pelo BNDES com recursos do Fundo da Marinha Mercante. O navio faz parte do lote de 12 PSVs contratados em 2024 e divididos entre a Starnav e a Bram Offshore. Os contratos somam R$ 16,5 bilhões, dos quais R$ 5,2 bilhões em construção naval no Brasil, com exigência mínima de 40% de conteúdo local e 12 anos de operação.
A entrega marca o início de um ciclo mais amplo de encomendas. Durante a cerimônia, Magda Chambriard afirmou que a Petrobras terá 48 barcos contratados até o fim deste ano e que a previsão é chegar a 96 embarcações em 2027, incluindo barcaças e empurradores. Segundo ela, as empresas brasileiras vêm vencendo as licitações, e o uso de uma frota própria e renovada traz mais eficiência e economia para a companhia. Para a indústria naval, o Elektra simboliza a retomada da construção de embarcações no país, com impacto na geração de empregos em estaleiros e na demanda por profissionais de navegação, máquinas, manutenção e operações de apoio marítimo.